segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Galinha Azul

Eu fiz cada descoberta, recentemente... eu não sabia que o símbolo do Carrefour era um C. E é difícil enxergá-lo. Juro. Descobri também que meu skype é mágico. A internet e o msn não entravam. Skype não só entrava, ele deixava eu me comunicar com pessoas online.
Estava DE FATO funcionando.
Sei lá, deu vontade de escrever aqui. E não tenho muito o que escrever, no fim das contas. Falei qualquer coisa. Alguns entenderão, agora, o título.

domingo, 13 de junho de 2010

Orra.

Eu sou um tanto patética.
Devo ter engordado pra dedéu nesse fim de semana (e eu não me importo), não comi sequer uma coisa que prestasse. Porque eu sou uma louca insegura e chata. Não sei me controlar. Mas talvez não seja culpa minha. Acho que o resto do mundo é que é estranho. Eu acho que o outro acha uma coisa, mas na verdade o outro acha que eu acho outra coisa dele mesmo e… que?
Eu não estou falando de comida.
Ah, veja bem, já tentei me explicar algumas vezes. Os últimos três meses, perdão, eu quis dizer ANOS, têm sido muito cruéis comigo. Perdi algumas pessoas, e ganhei distâncias indesejáveis de outras. Tive de assistir situações conflitantes, de tentar resolvê-las, e apesar de conseguir, vi-me totalmente solitária. Eu nunca fui protagonista de alguma situação conflitante. Percebi que eu era nada, ainda. Era bom, até. Só noto isso agora.

Agora eu inventei uma situação conflitante. Odeio dar uma de psicóloga, mas acho que é inevitável. Não existe alguém que me compreenda melhor do que eu mesma. E por enquanto tenho sobriedade suficiente para me analisar de maneira racional. Eu sempre tive medo de desagradar as pessoas, de fazê-las infelizes, só que ninguém teve o mesmo cuidado comigo por muito tempo. Eu criei um conceito pra levar pela vida inteira cedo demais. Por causa disso eu estou tendo dores cedo demais.
Fodi-me. Hehe.
Essa coisa de amor, paixão, amizade, mimimi me enlouquece. Porque eu cresci confiando muito nesses conceitos. São sagrados pra mim, e não de um modo infantil. Eu os vejo como sendo base da existência humana. A relação entre as pessoas é o que cria um sentido pra vida, não importando a religião do indivíduo. É sempre assim. E por causa de uma visão muito complexa, eu fico deslocada de outrem.
Eu não estou deprimida. Estou brava comigo mesma por enxergar tudo isso tão cedo. Não estou brava com alguma outra pessoa. Eu sou muito tola. Pobre de mim. Pobre dos outros. Louquinha e tola. Tolinha, tolinha. LÁ, LÁ, LÁ.
Isso foi uma bosta de texto, mas só fui falando, mesmo, porque estou cansada.
Boa sorte pra vocês.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Faia.

E era terra. E era pedra. E era osso. E era picareta. O som batia em sua alma, afundando-a até o próprio Hades. Os sinais eram colocados descuidadamente na caixa. A insensibilidade dos coveiros, essencial para o ofício, não era o pior – eram os mensageiros, e deveria aceitá-los. Carta vinda de seu sangue, sua carne; do irmão, perdido no barro, protagonista das lembranças incolores que chegavam à sua mente. Mas que loucura, que loucura! Lembranças de algo que não tivera?!
Loucura.
Aceite.
E era terra, e era osso, e era picareta, e era corda, e eram lágrimas. A dor, curiosidade, compreensão e choque a rodeavam, parecendo cantar para Ela. Os pinheiros que circundavam o campo se inclinaram coreograficamente com o vento. Nos momentos intensos as coisas mais comuns viram símbolos. A água corrente, o canto de pássaros, mesmo o céu limpo!


Respirando fundo, largou o braço da Mãe, e se afastou pelo gramado, se dirigindo a uma atraente sombra. A picareta voltaria ao trabalho, procurando pelo terceiro patamar, o mais profundo. Sabia que, aos baques, seria submergida a ponto de não conseguir mais voltar à superfície.


Era uma grande árvore que abrigava aquele banquinho. Na hora não se importou com a espécie. Talvez uma conífera. Ao imaginar-se ali, por outro lado, visualizou uma faia no outono; como se estivesse isolada num sonho, com todas as suas idealizações.


A latinha em sua mão esquerda tombou no chão. Mal conseguiu se abaixar para apanhá-la, presa em devaneios puros. Queria entender o que estava acontecendo. Era muita coisa acontecendo. Queria entender muita coisa. Quase tremia.
O Pai chegou a passos vagarosos. Sereno. Juntou-se a Ela silenciosamente, como se não quisesse interrompê-la. Permaneceram na mudez até a menina conseguir limpar a garganta e lançar a dúvida, em voz baixa:


- Está doendo?
O homem hesitou. Olhou para o Filho, olhou para as árvores, para o gramado, para as flores, e, finalmente, para Ela:
- Sabe que não? – ele não expressava estar surpreso consigo mesmo: devia ter a justificativa na ponta da língua. E foi o que demonstrou em seguida. – Acho que é porque tenho vocês.


A compreensão veio, cegou-a, ensurdeceu-a e calou-a. O cansaço e calor a corroíam; tudo o que desejava era pôr-se em posição fetal e chorar até que pudesse se banhar inteiramente com o pranto – sobre o gramado, ao vento, ao sol, no meio dos mortos. Ah, os mortos!
Recompôs-se, decompôs-se, recompôs-se e decompôs-se mais uma vez. O tempo passou como se brincasse de se esconder, e no momento seguinte, não era mais a exumação. Inumação soluçante e dourada. O sol os honrava com tanto afeto!


Eis a pele, os olhos, os engasgos. Os abraços! Os lamentos. As comemorações. Um brinde ao Lorde! Descanse, Lorde, descanse! Por favor.
Ela não teve coragem de mirar o Lorde. Não agüentava pensar que seria a última vez. Vira-o sobre seu leito, quase sorrindo e respirando calmamente pela primeira vez em meses; era o bastante. Era assim que o queria em sua memória mais fresca. Não com os algodões, crisântemos e gravata. Menos ainda com as sondas e faixas…


Dust to dust…


As flores perfumadas no vaso em seus braços a chamavam, enquanto o Pastor dava seu espetáculo. “São lindas. Ele vai gostar”, a Tia lhe dissera. Ele vai gostar. Mergulhou o rosto nas pétalas, inspirando. Pegou-se sussurrando palavras diversas, cantando e derrubando as lágrimas sobre elas; usando-as como mensageiras, já que os coveiros estavam ocupados, atrapalhando o Pastor com seus resmungos. O Irmão quase pulava em seus pescoços, pedindo para que se silenciassem e respeitassem.


E esse é meu amor. Mande-lhes, por favor.
Um novo símbolo chegou pelo ar. O Pássaro sobrevoou as cabeças dos tristes, belo como era, e pousou a alguns metros, alaranjado pelo poente.
Por favor?


E era pedra. E era terra. E era.