quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Rascunho de uma meia-declaração hesitante, porém essencialmente óbvia.


Súbita, ou não...
Ela sai de seus sonhos de lagos e flores e deusas, entra nas espirais de abandono e frustração, e se revira, suspira, e ri de seus demônios absurdos. Eis a insegurança! Nem mesmo se dá ao trabalho de se disfarçar! Repete-se o padrão; agonia, celebração.

Um dia, outro, um terceiro, ela espera: aparente paciência, aparente ocupação. Mas dorme no colchão de taquicardias – até que chega o momento.

Você existe, constata feliz e se controla (ou não). Ele é seu e ela é dele, mesmo que caia o temor e um arrepio sobre sua humana tênue estrutura ali mesmo e em mais quatro dias por semana. E ela existe, existe pra tais momentos de constatação aliviada.

Dentes, aroma, dedos e língua (dor, deleite). Acaba e recomeça. Retumba aquele conselho que lera num pacotinho de açúcar na padaria, e ri como tola.

mais vezes pela mesma pessoa.

Fácil demais.


domingo, 14 de abril de 2013

I'll just leave this here.

O leão se deita na terra, mal compreendendo como ele sequer aprendeu a falar a língua humana. Mal compreendendo porque um simples chapéu pode nocautear um corpo tão grande. A menina chamada Javert acaricia sua juba, pedindo pra que feche os olhos, e ele está cansado demais pra mandá-la embora. E percebe com um susto que ele mesmo não existe.
O rapaz o encara, meio vitorioso, meio culpado.
- Garoto tolo. - o leão zomba. - Era o sonho pelo qual tanto esperavas. Tua profecia estava a caminho, mas agora puseste fim à história. O sacrifício da tua amada seria o preço.
- Tolo és tu. - seu assassino retorque. - Acha que eu não sabia? Mas eis que minha escolha me revela o futuro.
- Tens razão. Se não matas tua consorte nem mesmo pelo segredo da tua vida num simples sonho...
- ..., o segredo está entregue.


(Laaaaame; e pretensioso. Era melhor não ter feito nada)

domingo, 31 de março de 2013

Texto inacabado.



Pequenas asas saíam de suas costas. Douradas, lampejavam sob a luz do sol, os cachos escuros caiam com beleza extraordinária sobre seus ombros. Devia ser a criança perfeita com aquele sorriso doce e olhos inocentes. Ela fingia ser uma fada, agitava a varinha de plástico na direção das pessoas e, como mágica, elas ficavam radiantes, riam adoravelmente.

Suspirei. Quisera eu ter sido como aquela menininha. Ter colocado uma coroa de flores e saído alegrando gente desconhecida. Aquele tipo de coisa cinematográfica. Conformada, afastei-me da pracinha e caminhei para a casa de doces. Comprei uma barra de chocolate. Um pedacinho por semana. Eu não gostava quando acabava depressa.

Eu não via a hora de chegar à minha rua e olhar através das grades do jardim morto do casarão antigo que lá se erguia, abandonado. Meus sonhos de explorá-lo e nele morar me vinham desde os sete anos. Os passos se afobavam quando eu pensava naquilo.

Finalmente, o portão invadiu meus sentidos. Toquei a ferrugem, mirei a vegetação, escutei o silêncio delicioso. E senti o perfume de uma rosa.

Ela estava lá, me esperando, quando por ela eu não esperava. Vermelha. Perfeita, como a criança. Peguei-a com cuidado. Não havia espinhos. Olhei em torno: não havia qualquer um que pudesse ter colocado-a ali.

- Obrigada! – estupidificada, agradeci às paredes imponentes, querendo crer que era um presente. Presente em troca da minha fiel admiração…
Que bobagem!

Eu sabia que não era assim. No entanto, não apenas faltava alguém para entregar a flor, como não havia quem a recebesse, a não ser eu. Cautelosa, saí andando depressa para casa.

Não era todo dia que uma coisa dessas acontecia, afinal. Eu jamais vira uma rosa tão bonita.

- Querida… de onde veio essa rosa? – mamãe indagou, sem nem cumprimentar.

- Eu… peguei no parque. – inventei, tentando fazer meu tom pouco convincente soar daquele modo por puro pudor no ato vândalo de roubar um dos enfeites naturais da praça, e não pela ocultação de uma verdade. Desconheço as razões para querer ocultar a verdade, aliás.

- Você não deveria ficar arrancando flores por aí. – reprovou-me, e suspirei aliviada por ter sido bem-sucedida na mentira. – Mas tudo bem. Coloque-a na água, antes que murche! – orientou-me com um sorriso amável. Voltávamos à rotina, então. Ela retornou para a cozinha, e fui me refugiar no meu quarto, o vaso em mãos.

Definitivamente deixando de lado minhas tarefas para o dia seguinte, distraí-me alisando as pétalas, curiosa. Depois de pensar por um tempo, concluí que só poderia haver três razões para ter encontrado tal beleza em meu caminho:

Primeira: Algum dos vizinhos havia percebido minha obsessão pelo casarão e colocara a flor como um método de me assustar ou me deixar encucada. Como uma piada. No entanto, se quisessem realmente fazer isso, usariam algum outro objeto, ou símbolo, provavelmente.

Segunda: Algum pássaro ou coisa que o valesse havia deixado a rosa cair, e ela se enroscara nas grades. Mas eu nunca vira um pássaro carregando flores, e duvidava que um avião ou helicóptero tivesse passado derrubando um carregamento de rosas.

Terceira: Havia fantasmas naquela casa, o que, eu diria, seria um motivo para no mínimo uma preocupação.

Lancei a rosa para longe de mim num susto. E se estivesse amaldiçoada?

- HAHAHA. – pareceu-me que minha imagem no espelho ria-se de mim. – Você está ficando cada vez mais maluca.

- Eu sei.

Feliz páscoa.

D'OH!

terça-feira, 26 de março de 2013

Profeta.

Mas é tão difícil supor seu destino, meu senhor, sendo que está entrelaçado com o meu.
Piedade dessa jovem alma.